Teoria de Markowitz na prática: a fronteira eficiente da sua carteira
A teoria de Markowitz mostra como combinar ações para ter o maior retorno esperado em cada nível de risco: o conjunto dessas carteiras é a fronteira eficiente. No Otimizador da IAções, o cálculo é exato e parte das suas premissas de retorno; a IA só comenta o resultado.
Use o Otimizador com uma conta grátis: entre ou crie a sua para ver a fronteira eficiente da sua carteira.
Animação ilustrativa: cinco ações fictícias, a nuvem de carteiras sorteadas, a fronteira eficiente e a reta da taxa livre tocando a carteira de maior índice de Sharpe.
O que é a teoria de Markowitz
A teoria de Markowitz é o método para montar carteiras que o economista Harry Markowitz publicou em 1952 e que deu origem à teoria moderna de portfólios. Ela rendeu a ele o Nobel de Economia de 1990. A ideia central é simples: o risco de uma carteira não é a média do risco das ações que ela tem. Ele depende de como essas ações oscilam juntas.
Quando duas ações não sobem e caem ao mesmo tempo, as quedas de uma são compensadas, em parte, pelas altas da outra. Por isso, uma carteira bem combinada pode ter risco menor que o da ação menos arriscada dela. Para a teoria de Markowitz, diversificar é escolher os pesos olhando a correlação entre os ativos, e não só a quantidade de ativos.
Com o retorno esperado, a volatilidade e a correlação de cada ação, a conta encontra a fronteira eficiente: as carteiras com o maior retorno esperado para cada nível de risco. Uma delas tem o maior índice de Sharpe, o melhor retorno acima da taxa livre por unidade de risco. É essa carteira que o Otimizador da IAções usa como referência para comparar com a sua.
Como funciona a otimização de carteira
A conta de Markowitz usa três informações de cada ação e uma regra para os pesos:
- Retorno esperado: quanto você espera que a ação renda em 12 meses. É uma premissa, não um dado. No Otimizador, ele sai do seu preço-alvo.
- Volatilidade: o desvio-padrão dos retornos, em base anual. Mede quanto a ação oscila e vem do histórico de preços.
- Correlação: quanto duas ações oscilam juntas, de −1 (sempre em sentidos opostos) a 1 (sempre juntas). Também vem do histórico.
- Pesos: a fração do dinheiro em cada ação. Somam 100% e, sem venda a descoberto, nenhum peso é negativo.
As fórmulas
Retorno esperado da carteira: E = w₁·E₁ + w₂·E₂ + … + wₙ·Eₙ
Variância de uma carteira com duas ações: σ² = w₁²·σ₁² + w₂²·σ₂² + 2·w₁·w₂·ρ·σ₁·σ₂
O retorno da carteira é a média ponderada dos retornos. O risco não é: o último termo da variância depende da correlação ρ. Com ρ menor que 1, a volatilidade da carteira fica abaixo da média ponderada das volatilidades. Com mais ações, a mesma conta usa a matriz de covariância, que reúne a volatilidade de cada ação e a correlação de cada par.
Fronteira eficiente, índice de Sharpe e tangência
- Carteira de menor risco: a combinação de menor volatilidade possível com aquelas ações.
- Fronteira eficiente: dali para cima, a carteira de maior retorno esperado para cada nível de risco. Uma carteira abaixo da fronteira é ineficiente: existe outra que, pelas mesmas premissas, rende mais com o mesmo risco.
- Índice de Sharpe: o retorno esperado acima da taxa livre de risco, dividido pela volatilidade.
- Carteira de tangência: o ponto em que a reta que sai da taxa livre encosta na fronteira. É a carteira de maior índice de Sharpe, que muitos livros chamam de carteira ótima de Markowitz.
Índice de Sharpe = (E − taxa livre) ÷ σ
A reta que sai da taxa livre e passa pela tangência é a linha de alocação de capital. Os pontos dela misturam a carteira de tangência com uma aplicação de baixo risco: com uma parte em CDI, a carteira oscila menos e o retorno acima da taxa livre cai na mesma proporção, sem mudar o índice de Sharpe. A animação no topo da página mostra esses conceitos passo a passo, com ações fictícias.
Exemplo com duas ações fictícias
Para ver a conta funcionando, considere duas ações fictícias, a Ação A e a Ação B, com as premissas abaixo. A Ação A promete mais retorno e oscila mais; a Ação B oscila menos. Os números são ilustrativos e não descrevem nenhuma empresa.
Premissas do exemplo
Exemplo ilustrativo| Ação | Retorno esperado (12 meses) | Volatilidade (ano) |
|---|---|---|
| Ação A | 24,0% | 35,0% |
| Ação B | 18,0% | 22,0% |
Correlação entre A e B: 0,3. Taxa livre de risco: 14% ao ano. O retorno esperado é premissa: no Otimizador, ele sai do preço-alvo de cada ação.
Carteiras com pesos diferentes
| Em A | Em B | Retorno | Risco | Sharpe |
|---|---|---|---|---|
| 0% | 100% | 18,0% | 22,0% | 0,182 |
| 20% (perto do menor risco) | 80% | 19,2% | 20,8% | 0,250 |
| 40% | 60% | 20,4% | 21,9% | 0,292 |
| 60% (perto do maior Sharpe) | 40% | 21,6% | 25,1% | 0,303 |
| 80% | 20% | 22,8% | 29,6% | 0,297 |
| 100% | 0% | 24,0% | 35,0% | 0,286 |
Em destaque, as linhas mais perto da carteira de menor risco e da de maior Sharpe (os pesos exatos estão nos cartões abaixo). Sharpe = (retorno esperado − 14%) ÷ risco. Retorno e risco ao ano.
Carteira de menor risco
20,3% em A · 79,7% em B
Retorno esperado de 19,2% e risco de 20,8%: menos que o risco da Ação B sozinha (22,0%), a menos arriscada das duas. A Ação A oscila mais, mas a correlação baixa faz as oscilações se compensarem em parte.
Carteira de maior Sharpe (tangência)
60,2% em A · 39,8% em B
Retorno esperado de 21,6%, risco de 25,1% e Sharpe de 0,303, acima do Sharpe da Ação A (0,286) e da Ação B (0,182) sozinhas.
- Sair de 100% em B para 20% em A sobe o retorno esperado (de 18,0% para 19,2%) e baixa o risco (de 22,0% para 20,8%). A carteira só com B fica abaixo da fronteira: é ineficiente.
- Da carteira de menor risco em diante, mais A traz mais retorno esperado e mais risco. Esse trecho da curva é a fronteira eficiente: nenhuma outra combinação dá mais retorno com o mesmo risco.
- O resultado é sensível à premissa. Se o retorno esperado da Ação A cair de 24% para 22%, o peso dela na carteira de maior Sharpe cai de 60% para 49%.
O efeito da correlação
Mesma carteira (50% em cada ação), mesmo retorno esperado (21,0%), correlações diferentes. Só o risco muda:
| Correlação entre A e B | Risco da carteira 50/50 |
|---|---|
| 1,0oscilam sempre juntas | 28,5% |
| 0,5 | 24,9% |
| 0,3premissa do exemplo | 23,3% |
| 0,0 | 20,7% |
| −0,5 | 15,3% |
Com correlação 1, o risco da carteira é só a média do risco das duas (28,5%) e não há ganho de diversificação. Quanto menor a correlação, mais as oscilações de uma ação compensam as da outra.
O retorno esperado é premissa sua
A conta de Markowitz é exata, mas só é tão boa quanto as premissas. A mais sensível é o retorno esperado: uma diferença pequena no retorno de uma ação muda bastante o peso dela na carteira de maior Sharpe, como mostra o exemplo acima.
É comum usar a média histórica dos retornos como retorno esperado, e é aí que o modelo costuma falhar: o desempenho recente de uma ação diz pouco sobre os próximos 12 meses. O Otimizador da IAções segue outro caminho e trata o retorno esperado como premissa sua, ancorada em valuation. Para cada ação, ele usa, nesta ordem:
- o preço-alvo que você digita ou traz no arquivo da carteira;
- o preço-alvo da sua tese ou do seu valuation (DCF) salvos na plataforma;
- sem nenhum dos dois, a média dos modelos de preço justo de Graham, Bazin e Gordon que se aplicam à ação.
O retorno esperado em 12 meses é a alta (ou a queda) da cotação até o preço-alvo, em porcentagem, somada aos proventos esperados no período. Antes da conta, a tela Premissas da otimização mostra cada número e deixa você trocar. Para chegar a um preço-alvo com método, use a calculadora de preço justo, a página de cada ação ou um fluxo de caixa descontado, e registre o alvo na sua tese de investimento.
Volatilidade e correlação descrevem o passado: o Otimizador usa cerca de 1 ano de preços diários. O retorno esperado olha para a frente e depende só das suas premissas. Nenhum dos três é previsão.
O Otimizador na plataforma
Na plataforma, a ferramenta fica na aba Otimizador e funciona em três passos:
- Trazer a carteira: por foto da corretora (a IA lê os ativos da imagem), por arquivo JSON, CSV ou XLS, digitando ou a partir de uma carteira salva na aba Carteira. Entram de 2 a 20 ativos negociados em reais.
- Premissas da otimização: confira, para cada ação, a cotação, o preço-alvo, o retorno esperado e a volatilidade, e ajuste a taxa livre e os limites mínimo e máximo de peso por ativo. Como diz a própria tela: “A conta de Markowitz sai deles; a IA só comenta o resultado.”
- Relatório da otimização: o resumo da carteira atual contra a escolhida (retorno esperado, risco, índice de Sharpe, número efetivo de ativos e giro), o gráfico da fronteira eficiente com a reta da taxa livre, a tabela de pesos atual × escolhida, o perfil por setor e tamanho, os múltiplos e a leitura do AIrton.
No gráfico do relatório, a carteira escolhida começa na tangência. Clique em qualquer ponto da fronteira para ver os pesos dele, ou use o controle Parte em ações × CDI para colocar parte do dinheiro na taxa livre e andar sobre a reta. A fronteira e a tangência saem de uma conta exata. O Otimizador também sorteia 1 milhão de carteiras, mas só para desenhar a nuvem do gráfico.
O AIrton, a IA da plataforma, lê o resultado, aponta os preços-alvo que mais pesam nele e comenta os pontos fortes e de atenção. Ele não escolhe os pesos e pode errar. A plataforma não executa ordens: o relatório é uma referência de cálculo, não recomendação.
Use o Otimizador com uma conta grátis: o cálculo de Markowitz, a fronteira, a carteira de maior Sharpe e a tabela de pesos ficam abertos. O backtest da carteira, a exposição macro, a leitura completa do AIrton e as opções de exportar e salvar fazem parte dos planos pagos.
Quantas ações ter e o que diversifica de verdade
A dúvida mais comum sobre diversificação é quantas ações ter na carteira. A teoria de Markowitz responde com outra pergunta: quanto essas ações oscilam juntas?
- Correlação alta, pouca diversificação. Empresas do mesmo setor reagem aos mesmos fatores, como juros, preço de commodities ou regulação, e tendem a oscilar juntas. Somar mais uma ação parecida reduz pouco o risco.
- Correlação baixa, mais diversificação. Negócios que dependem de fatores diferentes, como câmbio, consumo interno ou exportação, compensam melhor as oscilações uns dos outros.
- O ganho diminui a cada ação nova. As primeiras ações de setores diferentes reduzem bastante o risco; depois, cada ação a mais tira menos risco, e o risco do mercado como um todo não desaparece.
- O peso importa tanto quanto a contagem. Uma carteira com 10 ações e metade do dinheiro em uma delas se comporta como uma carteira bem menor.
Número efetivo de ativos = 1 ÷ (w₁² + w₂² + … + wₙ²)
Com 10 ações de peso igual, o número efetivo é 10. Com metade do dinheiro em uma ação e o resto dividido entre as outras 9, ele cai para 3,6. O relatório do Otimizador mostra o número efetivo de ativos da carteira atual e da escolhida, lado a lado.
Limites e cuidados
- Sensível às premissas. Pequenas mudanças no retorno esperado mudam muito os pesos, e a carteira de maior Sharpe tende a se concentrar em poucas ações. Os limites mínimo e máximo por ativo existem para conter isso.
- Risco medido no passado. Volatilidade e correlação vêm de cerca de 1 ano de preços. Em crises, as correlações costumam subir e a diversificação diminui justamente quando mais faz falta.
- Volatilidade não é todo o risco. Ela trata alta e queda do mesmo jeito e não captura eventos raros, como uma recuperação judicial.
- Taxa livre alta. Se nenhuma combinação supera a taxa livre pelas suas premissas, não existe carteira de tangência, e o Otimizador mostra a carteira de menor risco como referência.
- Sem custos nem impostos. A conta não considera corretagem, impostos nem o custo de mudar a carteira. O relatório mostra o giro necessário para chegar à carteira escolhida.
- Backtest é ilustração. Nos planos pagos, o relatório aplica os pesos de hoje aos preços passados, inclusive ao período usado para medir o risco. Isso ilustra o comportamento da carteira, mas não prova desempenho. Veja também o backtest de carteira.
- Referência, não recomendação. O resultado é uma conta com as suas premissas e não diz o que comprar ou vender.
Glossário
- Fronteira eficiente
- Conjunto das carteiras com o maior retorno esperado para cada nível de risco, dadas as premissas de retorno, volatilidade e correlação dos ativos. Carteiras abaixo dela são ineficientes.
- Índice de Sharpe
- Retorno esperado acima da taxa livre de risco dividido pela volatilidade. Mede o retorno extra por unidade de risco; só compara carteiras com as mesmas premissas e a mesma taxa livre.
- Carteira de tangência
- Ponto da fronteira eficiente tocado pela reta que sai da taxa livre de risco. É a carteira de maior índice de Sharpe com aqueles ativos e aquelas premissas.
- Carteira de menor risco
- Combinação dos ativos com a menor volatilidade possível, também chamada de carteira de variância mínima. É o ponto de partida da fronteira eficiente.
Perguntas frequentes
O que é a teoria de Markowitz?
O que é a fronteira eficiente?
Quantas ações ter na carteira para diversificar?
Ações do mesmo setor diversificam a carteira?
O que é o índice de Sharpe e qual valor é bom?
Que taxa livre de risco usar no Brasil: Selic, CDI ou Tesouro?
Dá para fazer a fronteira eficiente no Excel?
De onde vem o retorno esperado no Otimizador?
A IA escolhe os pesos da carteira?
A carteira de maior Sharpe é uma recomendação de investimento?
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